Milhares de aprovados em concursos todo ano poderiam dar milhares de dicas de como passar – e muitas delas estariam igualmente corretas. Muitas vezes não há certo e errado, há o que funciona para um e não funciona para outro. Ainda assim, lendo livros de especialistas, tendo contato com casos de sucesso (e de fracassos temporários) e a minha experiência pessoal, acho que dá para resumir o que é necessário para passar em um concurso concorrido em 3 grandes blocos. A ordem na qual aparecem não reflete, necessariamente, a importância:
Disciplina/trabalho duro: se você acha que é possível passar em um concurso concorrido estudando um pouco aqui, outro ali, é bem provável que você seja inexperiente nesse meio. Essa fase já existiu, mas acabou há muito tempo. Quase todo concurseiro já escutou a expressão HBC – horas bunda cadeira, que é o tempo que você passa estudando por conta própria. O Alex Meirelles fala no livro dele que o Deme considerava que um concurseiro, para ter chances de brigar em um concurso grande, precisa ter acumulado pelo menos 1000 HBCs. O Alex acha pouco e eu concordo (eu diria que 1000 serve para a parte alta da curva, isso é, pessoas com bastante facilidade de estudo e com conhecimento prévio de algumas disciplinas). O resumo da ópera é: com ajustes aqui e ali, o que te colocará na lista dos aprovados é um monte de horas de estudo.
Estratégia/planejamento: não dá para dizer que seja mais importante do que o tempo de estudo
(e dedicação) porque uma boa estratégia, sem a disposição para ralar muito, não valerá de nada. O problema é que, aparentemente, os milhares de concurseiros que estão há tempos nessa vida de estudar sem muito sucesso entendem mais facilmente a necessidade de dedicação do que a necessidade de ter um bom plano. Já ouviu a expressão “nenhum vento ajuda quem não sabe aonde vai”? É por aí. Um estudo dedicado, mas desenfreado e sem estratégia, tem muita chance de ser improdutivo. Há uma série de perguntas para as quais você deveria estar sempre buscando resposta ao longo do seu tempo de estudo: em que área você está focado? qual seu concurso foco? a sua forma de estudo daquela disciplina é a forma mais produtiva? a sua estratégia é focar em disciplinas de maior peso e ignorar um ou duas de peso pequeno ou ter notas razoáveis em todas as disciplinas? Há muito conhecimento de altíssimo valor já catalogado por pessoas que já passaram pela experiência de serem aprovados e que encurtam muitos caminhos; não tente construir tudo sozinho.
Contato com a realidade: esse talvez fosse um subitem do grupo anterior, mas é tão frequentemente ignorado que achei melhor destacá-lo como um terceiro grupo. O que eu chamo de “contato com a realidade” é saber, de forma objetiva e sem espaço para enganações, onde você se encontra - quais disciplinas você conhece bem, quais você sabe mais ou menos, em quais você patina, e qual seria um desempenho realista se, hoje, você prestasse o concurso para o qual está se preparando. E essa noção se consegue apenas de um jeito: fazendo muitos exercícios, simulados (seja feitos por cursinhos ou preparado por você em casa) etc. Se você começou a estudar há pouco tempo, essa não é a sua prioridade – você sabe pouco sobre quase todas as disciplinas que caem e seu foco agora é diminuir esse déficit. Mas com o passar do tempo, quando você vai ganhando conhecimento e tendo de repensar a sua
estratégia para os próximos meses de estudo, ter a real noção de onde você se encontra e quanto falta para você ter uma real chance é mandatório, por dois grandes motivos. O primeiro motivo é que você desenhou uma estratégia (ou ao menos eu espero que você tenha desenhado!), então como saber se a estratégia está dando certo se você não tem uma forma de medir? O segundo motivo é que ter metas claras e maneiras de medi-las é a melhor forma de manter-se motivado e, com isso, conseguir estudar mais. Parece ser bastante comum o quanto concurseiros muito dedicados e com um plano razoável do quê e de como estudar deixam de obter sucesso simplesmente porque insistem em não confrontar-se com a realidade e deixam de saber, com uma margem de erro bem pequena, em que nível de competição realmente estão. A consequência é que deixam para verificar onde deveriam ter ajustado seus estudos quando sai
o resultado da prova – e aí é tarde demais.
Esses 3 grupos são linhas bem gerais e merecem textos muito mais detalhados a respeito, mas acho que dão um panorama geral bastante razoável.
Bons estudos!
__________________________________________ César Caridade foi 3º colocado no ISS-SP e aprovado no TCE-SP.Home Estudar com Eficiência Exercícios 1 Exercícios 2 Estudar e trabalhar Disciplina Estratégia
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